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Saudabilidade com criatividade

Eureka organic

Demanda por melhor nutrição faz a indústria alimentícia pensar menos em recursos artificiais e valorizar artifícios
para comunicar apelos naturais dos produtos

Por Guilherme Kamio

Os mais recentes lançamentos da indústria de alimentos e bebidas deixam clara a grande aposta do setor em produtos que prometem benefícios à saúde. Hoje é cada vez mais comum ver nas embalagens desse produto, em destaque, dizeres como “natural”, “integral” e “zero”. Essa oferta de produtos mais puros atenderia à crescente adesão dos brasileiros à “saudabilidade”. O neologismo, presente em quase todos materiais de promoção desses produtos, exprime a preocupação crescente das pessoas em abraçar melhores hábitos de consumo. A perspectiva é de que essa tendência se acentue no Brasil.

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Segundo dados da Euromonitor International, no ano passado as vendas de alimentos processados de apelo saudável (com redução de sal, açúcar ou gordura, isentos de glúten ou lactose, funcionais ou livres de ingredientes artificiais) movimentaram o equivalente a 27,5 bilhões de dólares no mercado nacional. O número parece expressivo, mas é seis vezes menor do que o computado no mesmo período nos Estados Unidos e quatro vezes menor do que o registrado na China.

A oportunidade para os brand owners é a da entrega de atributos que influiriam nas decisões de compra de 38% dos consumidores, de acordo com um estudo da Nielsen. Conforme estimativa da empresa de pesquisas, shoppers se dispõem a pagar até 73% a mais por esses alimentos e bebidas recomendáveis. É uma chance de rentabilidade maior que não pode passar em brancas nuvens para a indústria alimentícia – e nem para o trade.

Ainda que dê margem ao trabalho com embalagens mais incrementadas, a suposta propensão das pessoas a gastar mais com produtos salutares não tem estimulado entre os fabricantes esbanjamentos na apresentação. “Temos como principal missão a democratização do consumo de alimentos naturais e orgânicos. Não é mais um nicho, é um caminho sem volta”, explica Thiago Palhas, designer da Mãe Terra, empresa que há 36 anos atua nesse mercado. “Pensando nisso, sempre utilizamos embalagens viáveis financeiramente.”

A filosofia de pés no chão não implica menosprezo no acondicionamento. Adquirida recentemente por valor não divulgado, uma encartuchadora Fabrima deu à Mãe Terra mais velocidade no acondicionamento e condições de materializar novas ideias em embalagens de papel cartão.

Palhas destaca as caixas criadas para a recém-lançada linha de produtos assinada pela culinarista e apresentadora Bela Gil. Desenvolvidas em parceria com a Congraf, elas têm tira de abertura desenhada em curva e com trava, permitindo ao consumidor resselar as embalagens. A base incorpora reforço para evitar rompimentos e garantir segurança no envase automático. Já os modelos adotados para o painço e o Trato MPB (mix de castanhas e cacau) exibem janelas integradas ao design gráfico. “São recortes em harmonia com a arte”, observa Cesar Costa, designer de embalagens da Congraf.

Dois itens da linha Bela Gil são personificados por um tipo de embalagem flexível em ascensão no mercado de alimentos convencionais: o stand-up pouch (SUP), bolsa plástica capaz de repousar em pé. A solução vem sendo prestigiada por diversos players em produtos naturais, integrais e orgânicos. Entre eles está a paranaense Jasmine Alimentos, ativa há 26 anos.

A empresa oferece grãos integrais e superfrutas (frutas desidratadas com alta concentração de nutrientes) em SUPs dotados de fecho (“zíper”) que permite lacrá-los após a abertura. “Essas embalagens garantem uma melhor visibilidade aos produtos no ponto de venda e praticidade para o consumidor”, considera Liza Schefer, gerente de marketing da Jasmine. O recurso foi também adotado para a venda de smoothies (bebidas à base de purês de frutas), porém numa derivação especial: o cheer pack, constituído de um laminado que permite a pasteurização e dotado de bico dosador com tampa.

Liza diz que os smoothies são exceções entre os projetos da Jasmine, por serem importados (da Espanha) já acondicionados. Trazer produtos prontos de fora tem sido saída frequente entre as empresas que adotam o cheer pack no Brasil, por falta de fornecedores locais. Para preencher tal lacuna, a Tradbor, especialista em SUPs, acaba de anunciar a disponibilidade da solução no País. O anúncio decorre da entrada da italiana Gualapack como sócia do negócio.

A conservação é um ponto forte dos cheer packs pasteurizáveis. A embalagem garante o trabalho com purês de frutas isentos de conservantes e com shelf life amplo (de até quinze meses) em gôndola seca. É uma solução que, nesse particular, resolve o desafio inerente às empresas do setor: o uso de invólucros capazes de preservar adequadamente produtos delicados, aos quais a ajuda de aditivos químicos não pega bem. Em linhas como as de snacks, frutas crocantes e cookies, a Jasmine responde ao problema por meio do uso de flow packs de alta barreira, feitas predominantemente de filme de BOPP por fornecedores como Santa Rosa, Converplast e Finepack.

“O objetivo é preservar produtos por meios físicos, não por meios químicos”, comenta Cristina Ferreira, gerente industrial da Superbom, empresa nonagenária que é hoje uma das principais fabricantes nacionais de produtos para o público vegetariano e vegano. Conforme detalha a profissional na Entrevista desta edição (ver pág. 22), a dispensa de conservantes tem favorecido o emprego do vidro. Recipientes feitos do material são utilizados em carros-chefes da marca como méis, geleias e sucos. “Sem o uso de substâncias químicas nós dificilmente conseguiríamos o mesmo shelf life em outras embalagens”, justifica Cristina.

Garrafas de vidro assegurariam à Superbom, por exemplo, vida de prateleira de até dezoito meses a certas variedades de sucos. Cada caso é um caso, contudo. No caso dos queijos cremosos (cream cheese), recém-lançados em pote exclusivo da Nadir Figueiredo, a empresa conseguiu alcançar shelf life de noventa dias. “Provavelmente será difícil levar o produto para praças além de São Paulo e Rio”, admite a gerente industrial.

Cristina Ferreira esclarece que o uso do vidro não atende somente a questões técnicas, mas também de marketing. “O material tem apelo premium e, por ser 100% reciclável, tem tudo a ver com a filosofia do bem-estar”, diz. Tal anseio de oferecer alimentos naturais em apresentações também mais naturais – ou, em outras palavras, de associar saudabilidade a sustentabilidade – tem levado as indústrias do setor a estudar, entre outras ações, o uso de embalagens feitas de bioplástico. “Já cogitamos o uso em flexíveis. É uma mudança que está no nosso radar e para a qual estamos realizando uma análise de viabilidade”, revela Thiago Palhas, da Mãe Terra.

Embalagens feitas de plásticos de origem renovável e/ou biodegradáveis também já chamaram a atenção da Jasmine. “Temos intenção de utilizá-los”, diz Liza Schefer, “porém a pouca demanda nos fornecedores e os custos altos ainda são pontos a considerar”. Fabricante do I’m green, polietileno derivado do etanol da cana-de-açúcar e produzido localmente, a Braskem afiança que a especialidade está ao alcance de todo o mercado. “Os canais de distribuição englobam uma rede com grande capilaridade e capacidade para atender clientes de diferentes tamanhos”, declara a empresa.

Entre as mais de oitenta marcas que já utilizam o plástico “verde” da petroquímica brasileira, pelo menos duas o adotaram em embalagens para alimentos com apelo saudável. Na América do Norte, o Grupo Bimbo o fez nos sacos dos pães da linha Eureka Organic; no Brasil, a Pilecco Nobre o fez no pacote do arroz Pró-Integral.

O cuidado para que as embalagens funcionem como extensão do apelo dos alimentos naturais e para que se alinhem ao suposto ethos de sua massa consumidora pode chegar a níveis rigorosos. Para lançar a Cuida Bem, família de produtos variados focados na saudabilidade, a Santa Helena fez questão de que os fornecedores das flexíveis, utilizadas como embalagem primária das barrinhas e mixes de castanhas, fossem comprometidos com questões sociais e ambientais. Selecionou a Converplast e a Camargo. “Ambas as empresas utilizam equipamentos que recuperam o solvente que, no passado, era disperso na atmosfera por meio de exaustão”, comenta Bruno Curbani, gerente de produtos da nova marca. “Desse modo, sabemos que nossas embalagens não contribuem com aquela emissão de poluentes.”

Curbani acrescenta que a mesma preocupação pautou a escolha da empresa provedora de caixas-display de papel cartão, utilizadas como embalagens secundárias. Nesse caso, a gráfica pinçada foi a Cosgraf. “A empresa trabalha com 100% de reciclagem de resíduos, utiliza tintas atóxicas e é certificada pelo selo FSC (Conselho de Manejo Florestal)”, elogia o profissional da Santa Helena.

Fonte: EmbalagemMarca

                             

                             

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