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Na raiz da boa fase

Cristina Ferreira

Tradicional fabricante de produtos para vegetarianos e veganos atravessa uma etapa especial em sua história. Cristina Ferreira, gerente industrial da Superbom, fala da contribuição das embalagens para o crescimento dos negócios

O momento vivido pela Superbom talvez seja bem definido por seu própriosu nome. A adesão crescente dos brasileiros a hábitos mais saudáveis tem feito o faturamento dessa nonagenária fabricante de alimentos naturais, fundada em São Paulo, evoluir nos últimos anos a taxas de dois dígitos. Em 2015, a receita aumentou 17,5%. Ante a situação favorável, a aposta em inovação se intensifica. Produtos clássicos da marca, como sucos, geleias, méis e carnes vegetais, vêm ganhando a companhia de novidades como queijos e cream cheese veganos. Não obstante ofereça produtos especiais, para a marca a embalagem é tão importante quanto para o mercado mainstream, em termos de marketing, e um componente até mais crítico em sentido técnico, pelo fato de as iguarias não conterem aditivos químicos. Os cuidados nessas duas frentes são comentados nesta entrevista por Cristina Ferreira, gerente industrial da Superbom.

São frequentes as notícias de fabricantes de alimentos suspendendo lançamentos. A Superbom, contudo, tem ampliado seu portfólio de produtos e acaba de anunciar 22 novidades. A empresa vive uma situação privilegiada?

Os lançamentos são projetos que já vínhamos desenvolvendo há um ano e meio, há dois anos. Optamos por introduzi-los no mercado mesmo com a crise, porque são propostas muito diferenciadas. É inegável que o momento econômico não é bom, que isso sempre traz impactos, mas a circunstância não teve grande interferência no giro de nossos produtos. Pelo menos não ainda. Crescemos 17,5% em 2015 e as vendas não recuaram expressivamente neste primeiro semestre. Apesar da crise, entendemos que o momento é da “saudabilidade”. Existem lacunas nesse mercado de produtos saudáveis, oportunidades de inovação. Por isso acabamos fazendo os lançamentos.

Um dos destaques entre os lançamentos é a linha de queijos cremosos Superbom Vegan Cream Cheese. Os produtos são oferecidos em potes de vidro, diferentemente dos cream cheeses tradicionais, geralmente apresentados em potes plásticos. O que motivou essa escolha?

Exibimos o produto pela primeira vez na Apas 2016 (feira da Associação Paulista de Supermercados ocorrida no início de maio em São Paulo) e a embalagem fez enorme sucesso. É um pote de vidro novo, desenvolvido pela Nadir Figueiredo com exclusividade para nós e para uma indústria parceira, que o utilizará em outro segmento. O formato é muito bonito. A tampa, de aço, também é diferenciada. É um modelo ainda inédito no Brasil, trazido da Polônia pela Silgan. A linha de cream cheese começará a ser produzida a partir de junho e estará disponível para venda a partir de julho. Estamos confiantes de que será um sucesso, como vem sendo a linha de queijos veganos lançada no ano passado.

Mas por que o vidro?

Por dois fatores. Primeiro, porque o produto tem apelo premium. Entendemos que o vidro agrega mais ao produto do que uma embalagem plástica, o enobrece. Em segundo lugar, é uma embalagem que garante propriedades exclusivas de conservação do produto. Preserva melhor aroma, textura, cor, sabor. O cream cheese, à base de batata, não contém nenhum aditivo químico, nenhum conservante – como, aliás, todos os nossos produtos. Se eu trabalhasse com uma embalagem plástica, dificilmente conseguiria ter o mesmo shelf life que tenho no vidro sem o uso de substâncias químicas. Cabe acrescentar que o vidro, por ser 100% reciclável, tem tudo a ver com a filosofia do bem-estar. O consumidor de produtos como os nossos costuma apreciar a embalagem de vidro.

Existem outros exemplos de contrastes flagrantes entre padrões de apresentação de alimentos e bebidas convencionais e soluções adotadas pela Superbom?

A diferença existe até nos nossos produtos mais tradicionais, os sucos. Os sucos integrais e os sucos prontos para beber são oferecidos em garrafa de vidro, enquanto a maioria do mercado trabalha com cartonadas assépticas e com embalagens plásticas, que são soluções um pouco mais baratas. Novamente, o objetivo é conferir apelo premium aos produtos, diferenciá-los, porque eles também não têm nenhum tipo de conservante químico. São conservados por pasteurização e envase a quente. Em outra embalagem não conseguiríamos fazer esse processamento sem a adição de alguma substância química. É uma filosofia. A orientação é optar por um recurso que imprima mais saudabilidade e mais sustentabilidade mesmo que o custo seja maior. Acreditamos que o mercado está mais maduro e sabe reconhecer as diferenças.

Produtos como os recém-lançados snacks, porém, seguem o paradigma de apresentação da categoria, ou seja, embalagens plásticas flexíveis...

É verdade. Foi opção nossa. Decidimos adotar embalagens laminadas, com uma camada interna metalizada, por questão de barreira. É uma solução que mantém a crocância do produto por mais tempo, que garante ao produto um shelf life extenso. Até poderíamos colocar os snacks em embalagens flexíveis feitas somente de polietileno. Mas preferimos seguir o conceito do mercado por questão de conservação do produto e para não fugir muito do arquétipo da categoria. É importante ressaltar que nem sempre os quesitos valor e sustentabilidade são incondicionais. Um exemplo é o nosso mel, que já tem mais de cinquenta anos no mercado. Ele é tradicionalmente vendido em embalagem de vidro, porém conta com uma versão em bisnaga de PET. Ocorre que uma parcela de consumidores gosta dessa embalagem, pois ela dá praticidade para aplicação do produto.

A vida de prateleira dos produtos da Superbom costuma ser menor que o de alimentos e bebidas convencionais?

Nosso objetivo é que o shelf life de nossos produtos seja similar e se possível até maior que o dos alimentos convencionais. Daí a escolha de algumas soluções diferenciadas. Nos sucos integrais em vidro, por exemplo, consigo um shelf life de até dois anos. Num suco pronto para beber, dependendo da fruta conseguimos um shelf life de doze meses, de dezoito meses, coisa que em outra embalagem eu não conseguiria. Isso facilita a distribuição. Como o País é muito grande, nossa logística é um tanto complicada para que os produtos cheguem ao extremo Sul, ao extremo Norte, ao Nordeste. Um produto com shelf life abreviado acaba dificultando essa logística. É um dos problemas que enfrentaremos nessa linha nova de cream cheese. O produto tem noventa dias de shelf life. Haverá dificuldade de trabalhar essa linha em algumas regiões do País. A tendência é que seja um produto mais restrito a São Paulo, Rio e provavelmente Paraná.

A empresa costuma utilizar processos especiais para prolongar a vida útil dos produtos além da pasteurização e do envase a quente?

Que eu me lembre, não... Já pensamos no uso do envase com atmosfera modificada. Temos projeto, por exemplo, em nossa linha de queijos veganos. Provavelmente trabalharemos com essa tecnologia.

Outra novidade da empresa é o início da oferta de néctares em lata. Houve investimento numa linha própria de envase ou a produção é terceirizada, dada a conhecida exigência de alta escala para o trabalho com tal embalagem?

Decidimos iniciar com um projeto piloto. Não fizemos investimento na nossa fábrica. Buscamos um parceiro. A formulação foi desenvolvida por nós, e contratamos um terceiro para envasar os produtos, sob nossa supervisão. Apenas alugamos a linha de envase, porque o investimento seria muito alto. Queremos primeiro sentir o mercado, a recepção pelo público. Tanto as matérias-primas das bebidas quanto o material de embalagem são comprados e gerenciados por nós. As latas são da Crown e os rótulos são da Uniflexo. As embalagens são decoradas com sleeve (rótulo termoencolhível)porque, se quiséssemos litografia, teríamos de entrar com volume mínimo de 220 000 latas, 250 000 latas por sabor. Por ser um piloto, esses volumes nos pareceram inviáveis. Curiosamente, os rótulos ficaram tão bem feitos que algumas pessoas não os notam, acham que as latas são litografadas.

Sabemos que a Superbom desenvolve internamente projetos gráficos de embalagens. Isso ocorre em todos os lançamentos e atualizações? Ou a empresa também recorre a agências de design?

Hoje, fazemos toda essa parte de desenvolvimento gráfico internamente. Todos os layouts das embalagens e todos os rótulos são projetados por uma equipe de criação abrigada dentro do departamento de marketing. Não terceirizamos mais, há algum tempo. Depois que internalizamos, percebemos que melhorou muito tanto a parte de sigilo, de não vazar informações, quanto a parte de dinamismo, de estabelecimento de uma competência própria. Todos os projetos visuais de embalagem são tocados a partir de briefings que montamos, e depois avaliados por uma comissão de produto. Já a parte de sistema, de estrutura da embalagem, é definida com apoio do nosso Centro de Pesquisa & Desenvolvimento. Temos uma tecnóloga dedicada ao estudo dessa matéria.

O público atendido pela Superbom sempre foi considerado uma minoria, um nicho. Há perspectiva de crescimento expressivo desse mercado consumidor no Brasil?

A previsão é de que o mercado de alimentos e bebidas mais saudáveis mantenha um crescimento de dois dígitos pelo menos até 2020. Não temos números precisos, mas sabemos que o Brasil já tem uma população vegetariana e vegana muito grande, que tende a crescer ainda mais e que procura produtos diferenciados como os nossos. Além disso, pessoas não assíduas cada vez mais experimentam e consomem eventualmente os produtos. Estamos menos dependentes de um nicho, mas o próprio nicho não deixa de representar um ponto positivo. Por mais que haja crise, os consumidores que adquirem nossos alimentos e bebidas por gosto, necessidade ou convicção permanecem conosco. Temos um público fiel. 

Fonte: EmbalagemMarca

                             

                             

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