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De olho na migração - Indústria de alimentos deve se precaver de interações perigosas entre embalagens flexíveis e produtos acondicionados

De olho na migração

Em alta, a venda de alimentos em embalagens flexíveis exige cuidados que vão além do atendimento a requisitos de produção, logística e marketing. Ante a preocupação cada vez maior com a segurança no consumo, convém às empresas usuárias, ainda, certificar-se de que os invólucros impedem contaminações. O risco não se limita ao eventual ingresso de agentes externos nocivos em exemplares mal selados. Procedimentos inadequados na conversão (fabricação das embalagens) também podem comprometer o conteúdo.

O descuido na confecção das flexíveis pode levar à ocorrência de migrações. Componentes dos adesivos, vernizes e tintas de impressão aplicados nas embalagens podem interagir com o alimento acondicionado, prejudicando suas propriedades organolépticas ou causando danos à saúde do consumidor. “As substâncias migráveis compreendem monômeros, oligômeros, aceleradores, inibidores, aditivos e compostos de decomposição ou degradação”, enumera Aline Lemos, pesquisadora do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Instituto de Tecnologia de Alimentos do Estado de São Paulo (Ital-SP).

Entre os estopins mais citados para as migrações está a cura (secagem) inadequada após laminações – em que filmes de diferentes funções são combinados. Monômeros residuais dos adesivos utilizados no processo podem formar aminas, substâncias alegadamente cancerígenas.

Carlos Motta, gerente de desenvolvimento e aplicação de adesivos industriais da Henkel, referência em adesivos para laminação, explica que quanto maior a área de contato do alimento com a parede do laminado mal curado, maior é a probabilidade de contaminação. “Alimentos secos implicam menor risco”, segundo o especialista, “porque não estimulam o elemento migrante a sair da embalagem”. Produtos com água e óleo, no entanto, são mais suscetíveis ao contato com as aminas. “Os líquidos podem penetrar na estrutura da embalagem e ‘buscar’ o contaminante.”

O envase a quente e a esterilização em autoclave (retort) também representariam maior risco para interações entre alimentos e aminas. “Ácidos e essências são outros fatores agressivos, capazes de facilitar contaminações”, acrescenta Carlos Gandolphi, gerente de pesquisa e desenvolvimento da COIM, grande player do mercado de adesivos para laminação. “Nessas aplicações mais exigentes é imprescindível o uso de adesivos de desempenho superior, com maior resistência térmica e química. Mas o uso de materiais e insumos adequados de nada vale sem boas práticas de conversão”, adverte o executivo.

No que tange a processos, a garantia de uma boa laminação depende basicamente da obediência a parâmetros para preparo do adesivo, dosagem na laminação e cura pelo tempo recomendado – que varia de acordo com as condições de temperatura e umidade. Cumpre alertar que o fato de a embalagem parecer estar pronta, ou seja, com as propriedades mecânicas desejadas após a laminação, não significa que ela esteja devidamente curada, isto é, com todos os monômeros polimerizados – e sem risco de migrar. “Por isso é importante que as empresas usuárias não se precipitem e usem os materiais somente após a espera necessária”, ressalta Carlos Motta.

Para facilitar a vida de convertedores e end-users, ano após ano surgem adesivos para laminação que demandam tempo de cura cada vez menor. Os avanços se concentram principalmente na categoria dos adesivos livres de solventes (solventless). “Os mais recentes lançamentos permitem que a cura mecânica e a cura química ocorram quase simultaneamente e em períodos cada vez menores”, afirma Motta. Gandolphi, por sua vez, lembra que dez anos atrás a isenção de risco em muitas aplicações era alcançada após seis a oito dias de cura. “Hoje, muitos adesivos garantem segurança em um a três dias”, diz.

Comparados aos tradicionais adesivos base solvente, as opções solventless garantiriam ganhos além do tempo de secagem abreviado e da consequente segurança maior. “O equipamento de laminação é mais acessível, consome menos energia, exige menor gramatura de adesivo e é mais eficiente. Esse melhor custo-benefício tende a se refletir nos preços das embalagens”, diz Motta. “Ademais, no solventless não há liberação de solventes, o que é positivo em termos ocupacionais e ambientais.”

A aposta dos fabricantes no solventless tem dado resultado. Entre 55% e 60% dos fabricantes de flexíveis laminadas atendidos pela COIM já utilizam esse gênero de adesivo. Diferentemente do que ocorria até alguns anos atrás, quando somente grandes convertedores utilizavam a tecnologia, companhias médias mais e mais engrossam a clientela. “Laminadoras sem solvente ou combinadas são cada vez mais adquiridas e o uso do adesivo sem solvente tem aumentado”, comenta Gandolphi. “Mas máquinas com solvente mais antigas e em bom estado de conservação são ainda muito utilizadas. Como funcionam, os convertedores as mantêm”.

Mas o que as indústrias alimentícias podem fazer para minimizar o risco de migrações em seus produtos? Motta sugere às empresas verificar se os fornecedores utilizam estações de laminação com manutenção em dia, se empregam adesivos formulados segundo as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, claro, se cumprem com os tempos recomendados de cura das embalagens.

Certificações obtidas pelos convertedores e relativas à segurança para os alimentos, como a FSSC 22.000, são avais apreciáveis. Mas é aconselhável realizar avaliações e ensaios para verificar o atendimento aos requisitos da legislação de materiais para contato com alimentos – trabalho que é um dos carros-chefes do Cetea, conforme explica Aline Lemos. Os testes simulam as circunstâncias reais de uso da embalagem. “As condições dos ensaios são padronizadas e definidas em regulamentos específicos”, diz a pesquisadora.

Gandolphi acrescenta que COIM disponibiliza visitas e apresentações técnicas a convertedores para a determinação de faixas de uso e de parametrizações que diminuam expressivamente as chances de contaminação. “O trabalho integrado tende a reduzir bastante o surgimento de problemas”, pondera. Motta, por sua vez, considera fundamental avisar que as embalagens flexíveis laminadas não são perigosas. “É perfeitamente possível trabalhar com total segurança. Com boas práticas, o risco é zero”, diz. “Se o uso de embalagens modernas fosse algo arriscado, ainda estaríamos como no passado, embrulhando tudo em papel manilha.”

 

Fonte: EmbalagemMarca

                             

                             

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