Notícias

Diferença sem dissabor

sheffapet

 

Garrafa de PET sinaliza às grandes marcas de leite UHT uma oportunidade de inovação sem o risco de tiro no pé

Uma expectativa de adesão fervorosa surge sempre que a garrafa de PET desponta em alguma categoria de produto. Não foi diferente quando marcas como Shefa e Leitíssimo adotaram a solução para a venda de leites, quase quatro anos atrás. A iniciativa até inspirou outros lançamentos, mas a acolhida pela indústria leiteira nacional não repetiu a movimentação causada em negócios como os de refrigerantes e óleos de cozinha. A dificuldade já era esperada pelo mercado fornecedor.

Sucesso por garantir vida de prateleira ampla e dispensar distribuição refrigerada, o leite longa vida não é tão simples de engarrafar em PET. O recurso também não oferece a economia gritante verificada em outras aplicações. Tendo-se em vista a hegemonia da cartonada asséptica no segmento (quase 85% da produção nacional), a esperança do setor de PET se volta às ampliações ou renovações de parques. Especialmente dos maiores fabricantes.

“Estou convicto de que os grandes players do mercado de leites terão pelo menos parte da produção em PET”, diz Ayrton Irokawa, gerente de vendas de máquinas da Krones do Brasil – uma das provedoras de equipamentos capazes de realizar o envase asséptico necessário para o trabalho com leites shelf stable e de shelf life extenso engarrafados em PET. O executivo acredita numa maior percepção de atributos valorizados pormuitos produtores internacionais, principalmente europeus. Um deles é a possibilidade de se destacar no ponto de venda. “O PET garante diferenciação do produto e o trabalho com diversos formatos na mesma linha, com baixo tempo de setup”, diz.

Para as principais marcas de leites, o PET também soaria interessante por não implicar o risco do estímulo à proliferação de marcas regionais, nos moldes do que ficou conhecido como “tubainização” do mercado de refrigerantes. “O custo para a aquisição das máquinas (CAPEX) pode representar uma barreira de entrada para concorrentesmenores”, assinala Irokawa. O executivo repassa que a Krones disponibiliza soluções para rendimentos a partir de 12 000 garrafas por hora, cujo custo total de posse (TCO) – equação do desembolso para aquisição das máquinas e dos custos de operação e manutenção (OPEX) – asseguraria aos grandes usuários retorno rápido do investimento.

A Shefa, que desde 2012 utiliza a garrafa de PET em parte de sua produção, faz um balanço positivo da adoção. Pedro Ribeiro, diretor comercial da companhia, classifica o recipiente como evolução na categoria. “A tampa bem maior evita derramar produto quando a embalagem está cheia e o lacre interno de alumínio evita aviolação e garante a qualidade do leite”, afirma. Segundo ele, o plano inicial era limitar a distribuição do produto a um raio de até 200 quilômetros da fábrica, situada em Amparo (SP). “Mas clientes de outros Estados exigiram a novidade para suas lojas. Hoje, o produto pode ser encontrado do Rio Grande do Sul ao Amazonas”, relata.

Agraciado com um dos troféus do prêmio GRANDES CASES DE EMBALAGEM 2012, o leite UHT em PET da Shefa é acondicionado em linha de envase asséptico da holandesa Stork, abrigada num parque de embalagem gerido pela Logoplaste, multinacional portuguesa de forte atuação no suprimento deembalagens rígidas. Ribeiro lembra que, antes da iniciativa da Shefa, a Parmalat chegou a comercializar leite UHT em garrafas de polietileno multicamadas. “Aquela embalagem pesava aproximadamente 35 gramas. A nossa, de PET, pesa 26 gramas”, compara o dirigente. (Em tempo: lançadas em 2002, as garrafas da Parmalat foram retiradas do mercado em data desconhecida, após mudanças no controle da marca).

Descontadas diferenças de peso e variações de formato, as garrafas da Shefa, da Parmalat e as demais utilizadas para a venda de leite longa vida têm um ponto em comum: incorporam uma barreira à luz para evitar a deterioração de propriedades organolépticas do produto – especialmente da riboflavina (vitamina B2). No caso da Shefa, a garrafa tem duas camadas, sendo a interna de coloração negra para evitar a foto-oxidação do conteúdo.

A construção é fruto de um processo de injeção dupla da pré-forma (overmolding), viabilizado por uma máquina da suíça Netstal. “As garrafas feitas com essa tecnologia conseguem uma barreira à luz superior a 99,9% nos comprimentos de onda importantes para a preservação do leite”, detalha Fabio Salik, diretor da operação brasileira da Logoplaste. A camada externa branca, presente na maioria das garrafas do produto, tem finalidade estética.

A mesma solução foi adotada no leite Paulista, produzido na linha da Shefa e lançado em meados de 2013 graças a uma parceria com a Danone. A Shefa diz não ter condições de prestar serviço de terceirização a outras marcas, pelo fato de a operação estar tomada. “Seis meses após o início do trabalho nossa linha já trabalhava a todo vapor”, conta Pedro Ribeiro, que evita revelar números da produção. “Desde o início programamos toda fábrica com a possibilidade de dobrar a linha por meio da instalação de mais uma máquina de envase. Ainda não o fizemos, apesar da grande demanda, pois o custo do investimento é alto.”

Para o lançamento de seu leite em PET, concretizado em novembro de 2014, a Jussara decidiu seguir outra senda: o uso de garrafas monocamada, brancas por dentro e por fora, com barreira proporcionada por um aditivo fotobloqueador incorporado à resina. “É o que existe de mais moderno no mercado mundial”, assinala Messias Castro, gerente de marketing da Jussara. “A tecnologia é mais simples e mais eficiente na produção.”

A solução monolayer baseia-se em pré-formas fornecidas pela Plastipak. A reportagem nãoconseguiu apurar se a propriedade de barreira é obtida através do acréscimo à resina de um masterbatch (aditivo) à base de titânio, como normalmente ocorre em garrafas do gênero utilizadas no exterior. O parque de envase asséptico adquirido pela Jussara, instalado em sua fábrica situada em Patrocínio Paulista (SP), é da Sidel. A empresa brasileira diz ter sido a primeira na América Latina a instalar uma linha do gênero com a tecnologia Predis, desenvolvidapela fornecedora francesa. “Os processos de sopro e envase são feitos num único equipamento, permitindo economia de espaço e otimização do uso de insumos eagentes esterilizantes”, explica Messias Castro.

Brandindo o pioneirismo no fornecimento de embalagens de PET para laticínios, a Plastipak alega que a garrafa de camada única assegura 99,5% de barreira à luz e elimina os riscos de delaminação, que podem levar a contaminações de produtos. Sustenta, também, que o artifício é vantajoso em termos competitivos e operacionais, por não demandar novos investimentos em maquinário para a produção da embalagem. “No quesito sustentabilidade, a solução possibilita a produção de uma embalagem 100% reciclável, com processo de reciclagem mais fácil que o das soluções multilayer e cartonadas”, diz a empresa, em nota.

Fabio Salik rebate os argumentos favoráveis à solução monolayer. “As embalagens monocamada necessitam de uma quantidade muito grande de pigmento e carga para conseguir chegar ao mínimo necessário de proteção à luz. Essa quantidade massiva de aditivo altera as propriedades do material, dificultando bastante o sopro”, diz. O profissional da Logoplaste é taxativo ao dizer que a solução multicamadas é mais barata e mais eficaz em barreira. “A única vantagem do processo monocamada é que o mesmo permite utilizar máquinas de injeção de PET convencionais e moldes já existentes. Para volumes mais baixos pode ser umaalternativa”, pondera.

À parte discussões sobre a estrutura da embalagem, o fato é que a garrafa de PET é cada vez mais vista como um veículo oportuno pelos fabricantes brasileiros de leites. “Verificamos que o leite em garrafa plástica tem uma percepção de valor superior por parte do consumidor”, afirma Messias Castro, da Jussara.

Assim como a Shefa, a Jussara não abdicou do uso das cartonadas assépticas – na verdade, até investiu paralelamente em ampliação da capacidade das linhas de leites em caixinhas. O gerente de marketing, porém, não hesita em atribuir ao leite em PET mérito no bom momento vivido pela companhia. “O produto tem tido excelente aceitação tanto pelo consumidor quanto pelo varejista, garantindo nosso crescimento em volume e faturamento”, diz. “No ano passado, em que as pesquisas indicaram uma pequena queda no consumo de leite UHT no Brasil, a Jussara teve um avanço de 8% em seu volume de vendas. Estamos extremamente satisfeitos.

 

Fonte: EmbalagemMarca

                             

                             

                             Contato

                             Política de Privacidade

                             Mapa do Site

                             Login Diretório

                             Credenciamento

          

            

 

                              

  

Newsletter

Eu aceito receber comunicações da promotora e de parceiros.
Sim, li e concordo com a política de privacidade