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O amanhã mais próximo

Pelo maior valor agregado, cápsulas são promovidas como o futuro do café. Embalagem será vital para que a expectativa se concretize

 

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Por Guilherme Kamio

Se os produtos do futuro virão em cápsulas, como imaginaram autores de ficção científica, parece que o amanhã já chegou para um produto clássico do dia a dia dos brasileiros. É cada vez maior o número de marcas apostando em versões encapsuladas de café, que possibilitam consumir a bebida com atributos de espresso e de maneira inovadora – por meio do preparo em aparelhos pequenos, práticos e razoavelmente acessíveis.

Dois anos atrás, o País tinha oito empresas de café atuando com encapsulados. Faltam dados atuais precisos, mas sabe-se que hoje elas já são mais de cem. O público vem se rendendo à proposta. Há uma década, quando tiveram início, as vendas de cápsulas de café no Brasil geraram 19 milhões de reais. Em 2015, totalizaram 1,4 bilhão de reais. Esse valor deverá triplicar até 2019, segundo previsão da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).

O avanço evidencia o interesse do consumidor por qualidade e praticidade. E não é difícil entender o ímpeto das empresas em atender a vontade. O café moído presente em cada cápsula (de 5 a 8 gramas) gera um retorno cinco vezes maior que na venda convencional.

A oportunidade de obter melhores margens, contudo, não é causa isolada do aumento da oferta. O boom também se deve à expiração de patentes relativas às máquinas e embalagens das marcas pioneiras – Nespresso e Nescafé Dolce Gusto, ambas da Nestlé. A queda de proteções vem estimulando lançamentos de aparelhos e cápsulas compatíveis com a tecnologia da multinacional suíça. A tendência, iniciada com a importação de cápsulas, intensificou-se com o surgimento no Brasil de fontes para produção e envase dos recipientes.

Destaque nessa área é a Kaffa. A empresa portuguesa, especializada no encapsulamento de café, atua desde meados de 2014 no Brasil com envase para terceiros (co-packing) – serviço que a fez se envolver com parcela expressiva das adoções de cápsulas por pequenas e médias torrefadoras nacionais.

A operação baseia-se numa fábrica instalada em Ribeirão Preto (SP), capaz de produzir mensalmente 3 milhões de cápsulas por turno. A carteira conta com 85 clientes ativos, atendidos com cápsulas adaptáveis ao sistema Nespresso. Diferentemente das originais, feitas de alumínio, as cápsulas da Kaffa são de laminado plástico, devido a uma medida de proteção industrial ainda vigente.

“A solução de plástico tem o mesmo desempenho que a metálica, mas a um custo menor”, garante Alexx Onaga, diretor comercial e de marketing da Kaffa Brasil. Segundo ele, a matriz, além de processar cápsulas para um sistema próprio, produz cápsulas alternativas para outros sistemas, incluindo Dolce Gusto – cujos recipientes são de laminado plástico.

Provavelmente para se resguardar de uma concorrência como em Nespresso, a Nestlé abriu em dezembro último, em Montes Claros (MG), uma fábrica de cápsulas para Nescafé Dolce Gusto. Fruto de um aporte de 220 milhões de reais, o complexo abriga duas linhas de produção, que abastecerão não somente o mercado nacional, mas também Argentina, Paraguai e Uruguai.

É o primeiro polo de cápsulas Dolce Gusto fora da Europa. A reportagem procurou a Nestlé para obter detalhes sobre a tecnologia de produção e acondicionamento da unidade, mas a empresa preferiu não dar entrevista.

Apesar do avanço significativo e de toda a movimentação, o café em cápsula ainda responderia por fração pequena do volume de café escoado no Brasil. Nas estatísticas da Abic, 87% do mercado ainda pertencem ao café em pó. O frescor da proposta não ajuda os fornecedores de máquinas de acondicionamento. Não bastasse a líder de mercado fabricar suas próprias cápsulas, players importantes – como 3 Corações (sistema Tres) e JDE (Pilão) – trazem cápsulas da Europa. As demais empresas não teriam, por ora, escala para investir.

“Nossa máquina de menor velocidade faz 100 cápsulas por minuto. Ainda é um pouco além do que os produtores de médio porte demandam”, expõe Marco Santos, diretor da Lynkin’ Trading, representante para o Brasil dos equipamentos para envase de cafés da italiana IMA (Industria Macchine Automatiche).

É a mesma barreira enfrentada pela Bosch Packaging Technology. A companhia fabrica na Alemanha e oferece no Brasil, por meio de seu escritório local, soluções para moldagem, envase e selagem de variados tipos de cápsulas. “Ainda não houve aquisições no País, mas confiamos que elas ocorrerão”, afirma Fabio Pozzi, gerente de vendas da subsidiária brasileira.

Os fornecedores esperam que as torrefadoras que realizam encapsulamento fora do País parem de ver lógica na remessa de commodity para o recebimento de produto com valor agregado no exterior. Torcem, também, para que o mercado se convença de que as soluções dos fabricantes mais conhecidos são mais confiáveis.

“Tem muita gente se equivocando”, diz Marco Santos. “Você vê cápsulas de boas marcas, referências em café, com produto mal conservado, oxidado. Os motivos são selagem precária e falta do devido cuidado com atmosfera modificada, que é o grande segredo do envase de cápsulas. É impossível ter produto de qualidade rodado em máquina asiática de baixo custo. Corre-se o risco de um tiro no pé.”

 

Fonte: EmbalagemMarca

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