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As Food Techs e o mercado de orgânicos

Motivadas pela certeza de que até 2050 seremos 9 bilhões de habitantes usando os recursos do planeta, as Food Techs começam a atrair os holofotes do setor mundial de alimentação. Enquanto as grandes empresas parecem ocupadas demais, exercendo seu pleno domínio do mercado, algumas startups já nos surpreendem com novas soluções que prometem revolucionar a cadeia produtiva de alimentos.

Adotando a tecnologia como palavra de ordem, elas querem aprimorar os processos de produção, fornecimento e distribuição de alimentos, desenvolvendo produtos e inovações para serem entregues diretamente ao consumidor final. Para as Food Techs, melhorar o acesso aos alimentos saudáveis e nutritivos, causando o menor impacto possível ao meio ambiente, é o que vai gerar as melhores oportunidades de negócio. 

Para nós, brasileiros, algumas dessas inovações ainda soam bizarras. Proteínas com sabor e textura similares às da carne, desenvolvidas a partir de processos químicos e biológicos, por exemplo, ainda não conseguem despertar mais do que curiosidade por aqui. Porém, em muitos países, soluções desse tipo já encontram eco nos que se preocupam com a saúde das pessoas e do planeta, ganhando os contornos de um mercado promissor.

Outras novidades já fazem enorme sucesso por aqui, como as Food Techs especializadas na entrega de alimentos por aplicativo, que estão mudando a forma como o brasileiro pede comida em domicílio. Como se vê, conveniência e praticidade continuam ditando o comportamento do consumidor e estimulando o crescimento do setor de food service.

Enquanto os novos hábitos e as novas demandas vão impulsionando o mercado de alimentos, as novas tecnologias geram transformações relevantes. A indústria ganha meios de reduzir seus custos de produção. O setor de logística amplia o alcance geográfico dos mercados. O varejo monitora o desempenho do produto na prateleira em tempo real. O consumidor ganha acesso a informações detalhadas sobre os produtos e as utiliza no processo de decisão de compra.

Agora vamos colocar nessa mistura vibrante um elemento altamente reagente: a disposição do brasileiro em consumir alimentos mais saudáveis, naturais e orgânicos. Tal constatação, revelada recentemente em pesquisa do setor supermercadista, materializou-se por meio de números robustos: 46% dos consumidores consideram como muito importante em um supermercado a oferta de produtos orgânicos, naturais ou lojas focadas em produtos saudáveis. Os consumidores conscientes também ganharam um perfil mais nítido: estão concentrados na classe A (51%), maioria mulheres (50%), com 55 anos ou mais (49%), predominantes da região Sul do Brasil (55%).

É natural, portanto, que o crescimento do mercado de orgânicos termine por agitar o ambiente das Food Techs. Os programas de aceleração apoiados por grandes companhias devem se multiplicar, estimulando o desenvolvimento de tecnologias específicas capazes de conectar produtores, varejistas e consumidores. Dessa forma, as transformações tendem a acontecer mais rapidamente, alcançando setor de orgânicos.

As tecnologias que auxiliam o consumidor no processo de compra de alimentos orgânicos devem se estender a nichos específicos, como o de comida caseira, por exemplo. Os aplicativos desenvolvidos para conectar fornecedores de refeições customizadas com clientes em busca de “comida de verdade” já não podem deixar de classificar os “chefs” orgânicos e informar os registros de rastreabilidade dos produtos e ingredientes.

Os bares, restaurantes e lanchonetes que estão embarcando nas inovações desenhadas para o food service também terão que planejar suas ofertas de orgânicos, seja para atender a demanda crescente, seja para criar diferenciais competitivos para suas marcas. Isso já vemos acontecer no âmbito das startups dedicadas à produção de refeições saudáveis, onde o apelo aos benefícios ambientais e nutricionais dos produtos orgânicos são usados como atrativos comerciais. Porém, como o setor de orgânicos é regulado por um rígido sistema de certificação, não basta dizer que seu produto é orgânico. É preciso comprovar através do selo da certificadora. 

É inevitável, as novas plataformas voltadas para o setor de alimentação terão que levar em consideração a oferta de produtos orgânicos. Através delas o consumidor poderá programar compras, comparar preços, acompanhar a sazonalidade e checar a rastreabilidade de ingredientes. Porém, entre as inúmeras funcionalidades que estas soluções inovadoras podem oferecer, talvez a mais desafiadora seja a capacidade de contar histórias! Sim, porque quando se trata de alimentos orgânicos, as narrativas e histórias de quem produz se juntam com as de quem consome. Exatamente como numa feira de verdade, que sempre foi o principal ponto de encontro daqueles que se preocupam em manter hábitos alimentares saudáveis e naturais.

Fabio Belik - fabio@organis.org.br

Organis - Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável

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