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O risco de lutar uma guerra que já passou

É científico que estamos vivendo mais, e queremos viver melhor. A alimentação é um dos fatores que contribui para a saúde, tem profunda influência no dia a dia e bem-estar das pessoas, colaborando com os fundamentos da primeira sentença. Entre os integrantes dos mais diversos segmentos alimentícios não há dúvidas sobre tais afirmações. Assim, resumimos os desejos dos consumidores em expressões que viram símbolos de correntes de mercado. No entanto, Saudabilidade, Clean Label, Flexitarianismo, e tantos outros movimentos, não foram criados pelo consumidor elementar, mas reconhecidos e adotados como respostas às suas necessidades. Combater ou pormenorizar tais movimentos seria ignorar anseios substanciais de consumo.

Eis a questão.

Recentemente participei de um painel do setor, e fui surpreendida por representantes de associações e indústrias se defendendo sobre supostos ataques de desinformação ao segmento alimentício. Fiquei me perguntando quais razões levaram o debate para o campo da defesa, dando vazão a posturas extremas. Ataque e defesa são polarizações que não admitem uma agenda positiva, da qual deveríamos estar tratando.

Entendo, todavia, que enfrentamos dificuldades na comunicação porque existem lacunas, ou seja, espaços deixados abertos para serem tomados pela desinformação e desserviço público, como o caso do “ácido” na carne, do mix de farinhas “low carb”, do “ultra”-processado. Em tempos de pulverização e velocidade nos meios de comunicação, é natural que hajam questionamentos à indústria de alimentos, muitas vezes com estudos “provando” qualquer coisa, até mesmo opostos de uma mesma questão.  Minha dúvida é se pautas de combate serão eficientes para preencher tais espaços com a informação correta.

Acredito no diálogo acima de tudo, inclusive para trazer à tona os desafios e contrapor os excessos. Dialogar pressupõe ouvir com profundidade e responder com excelência, pois as demandas do consumidor, na maioria das vezes, não são explícitas com clareza. Eventualmente corremos o risco de que sejam interpretadas e atendidas com conteúdo duvidoso. Mas, há um risco ainda maior em meramente contestar versões, ao invés de conectar-se verdadeiramente às linhas de consumo atuais e futuras.

O fato é que no mundo contemporâneo multiconceitual, os protagonismos do passado não encontram mais espaço. Aderir às mudanças que estão diante de nossos olhos, compondo uma agenda flexível e adaptada às novas necessidades é o caminho evolutivo para o segmento alimentício. Movimentações em torno de conceitos clean label, flexitarian, free-from, natural, e outras denominações que traduzam desejos de consumo se tornaram a corrente principal. Debatê-los ou considera-los uma tendência futura é lutar uma guerra que já passou.

O desafio está em abraçar o novo e fazê-lo acontecer, simplesmente.

Carina Rocha

                             

                             

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