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Quem são as raposas? Quem são as galinhas?

As recentes discussões em torno da futura gestão política da nossa agricultura apontam para a existência de dois lados antagônicos e totalmente irreconciliáveis: o do agronegócio e dos ambientalistas. Devem ser reunidos sob um mesmo teto? Devem ser mantidos a distância segura um do outro para que não se digladiem – resultando na inevitável aniquilação do lado mais fraco?

Para o cidadão comum, consumidor de alimentos, tal confronto parece ser uma grande bobagem. Primeiro, porque agronegócio e política ambiental não podem ser mais, nessa altura do campeonato, totalmente irreconciliáveis. Em segundo lugar porque o lado supostamente mais fraco está muito fortalecido perante a opinião pública e já sabe muito bem como se defender.

Além disso, o consumidor moderno está consciente do que prefere ter à mesa: alimento barato, em quantidade suficiente, nutritivo, saudável e produzido com total respeito ao meio ambiente. É possível atender essa demanda apenas com as práticas do agronegócio? Não! É possível atendê-la seguindo apenas as práticas dos ambientalistas? Não! Nesse caso, já está mais do que na hora de ver algum trabalho em conjunto sendo produzido em terras brasileiras.

As nossas empresas do setor alimentício já começaram a se movimentar nessa direção. O vertiginoso crescimento do mercado de orgânicos e a popularização dos conceitos vindos da agroecologia já podem ser mensurados a partir das gôndolas dos supermercados, onde a quantidade de produtos ofertados só faz aumentar. Muitas empresas já entenderam que suas ações em defesa do meio ambiente têm enorme alcance em termos de aceitação popular e já se planejam para ter na sua família de produtos ao menos uma linha de orgânicos e sustentáveis.

Tal tendência pode ser observada claramente no quadro de associados do Organis – Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável. Ao lado das empresas que construíram suas marcas exclusivamente focadas na produção orgânica, já convivem empresas que se valem da sua experiência na produção convencional para ampliar a oferta de produtos saudáveis, lançando linhas especiais de orgânicos. Muito mais do que explorar comercialmente um novo nicho de mercado, voltado para consumidores mais qualificados e com maior poder aquisitivo, esta ação vem sendo tomada a partir de um objetivo estratégico muito prático: agregar valor à marca, incorporando “conceitos do bem” que são demandados por um número cada vez maior de consumidores.

A nova geração de consumidores entende a alimentação saudável como um fator decisivo e reconhece que o alimento está no centro de suas vidas. Desenvolveu uma forte consciência ambiental e está impondo limites éticos ao agronegócio. Para eles, as práticas prejudiciais ao meio ambiente são inadmissíveis e os alimentos ultraprocessados devem ser evitados.

Assim, nossos dirigentes precisam entender que as discussões sobre o futuro da nossa agricultura devem buscar respostas para algumas perguntas bem objetivas: quais práticas podem ser toleradas em nome da produtividade? Quais práticas devem ser abandonadas em nome da preservação ambiental? Para onde apontar nossos investimentos em pesquisa e desenvolvimento? Como atender a demanda das futuras gerações de consumidores?

Nesse embate, apresentar o agronegócio como vilão da história, responsável por todas as agruras do planeta, é uma tolice simplista. De outro lado, mostrar o ambientalista como um inconsequente inoportuno, que só pensa em atrapalhar, é uma redução caricata. A analogia mais recente preferiu caracterizar os personagens como raposas e galinhas. O grande problema dessa metáfora é que, a julgar pela crescente importância que o consumidor brasileiro está dando às questões ambientais, as galinhas podem surpreender, mostrando que são, de fato, galinhas ninja!

Fabio Belik - fabio@organis.org.br

Organis - Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável

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