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Influência da suplementação com três tipos de óleos vegetais na produção de ácidos linoléicos conjugados em leite de vacas Jersey semi estabuladas

Diana Fabiola Orellana Quijada1, Juan Antonio Ruano1*, Isidro Matamoros2, Poliana Deyse Gurak3, Luis Fernando Osorio1 

1Departamento de Agroindustria Alimentaria, Escuela Agrícola Panamericana, Zamorano, Honduras.

2Departamento de Ciencia y Producción Agropecuaria, Escuela Agrícola Panamericana, Zamorano, Honduras.

3Departamento de Nutrição, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Brasil.

*jruano@zamorano.edu

                                                                                                                                 

Resumo: Os objetivos deste estudo foram avaliar a inclusão de três tipos óleos vegetais na dieta de vacas leiteiras para promover a produção de ácidos linoléicos conjugados (CLA) e avaliar mudanças no perfil de ácidos graxos e das propriedades físico-químicas do leite obtido dos tratamentos deste estudo. Para atingir esses objetivos análises de cromatografia a gás foram realizadas para identificação e quantificação de ácidos graxos, paralelamente análises de pH, viscosidade e cor também foram executadas. Em relação a metodologia experimental, no estudo se utilizaram três grupos de vacas (cada grupo com 8 vacas) de raça Jersey. Cada grupo foi submentido aos três tratamentos compostos por dietas isoprotéicas e isoenergéticas pelo consumo de pastagem Brachiaria híbrido (Mulato II e Cayman), ensilagem e concentrado. A única diferença para cada tratamento experimental foi a adição de óleo vegetal (milho, canola e palma) no concentrado. Os resultados demostraram que houve aumento do conteúdo de gorduras trans e CLA nos tratamentos com óleo de milho e canola sem diferença estatística significativa entre eles (P>0,05). Os aumentos detectados foram de 4,54 % de gorduras trans e 0,88% de CLA no tratamento com óleo de milho e de 4,08 % de gordutas trans e  0,81 % de CLA para o tratamento com óleo de canola. Estatísticamente o tratamento com óleo de palma apresentou menor produção de CLA em comparação ao óleo de milho e canola (P<0,05). A suplementação com óleos ricos em ácidos graxos poliinsaturados como milho e canola aumentaram a produção de CLA em leite de vaca Jersey semi estabuladas.

Palavras chave: óleo de canola, óleo de milho, óleo de de palma,  CLA, cromatografia gasosa.

 

Influencia de la suplementación con tres tipos de aceites vegetales en la producción de ácidos linoleicos conjugados en leche de vacas Jersey semiestabuladas                       

Resumen: El perfil de ácidos grasos permite caracterizar, comparar, cuantificar distintas grasas y ácidos grasos como omega 3, omega 6 y ácidos linoleicos conjugados (ALC). Los objetivos del estudio fueron evaluar tres aceites vegetales para promover la producción de ALC, determinar la dieta que más promueva la producción de ALC, evaluar cambios en perfil de ácidos grasos y propiedades físico-químicas de la leche obtenida de los tratamientos. Se identificó y cuantificó los ácidos grasos con cromatografía de gases; se analizó el pH, viscosidad y color. Se utilizaron 3 grupos (8 vacas) de raza Jersey, cada grupo pasó por los tres tratamientos. Las tratamientos estuvieron compuestos por pasto Brachiaria híbrido (Mulato II y Cayman), ensilaje y concentrado.  Estas dietas son consideradas isoproteícas e isoenergéticas,  la única diferencia en cada una fue la adición de aceite (maíz, canola o palma) en el concentrado. El análisis estadístico se realizó mediante un diseño de bloques completos al azar con tres tratamientos y tres repeticiones. Se incrementó el contenido de grasas trans y ALC en los  tratamientos con aceite de maíz y canola, no hubo diferencia estadísticamente significativa entre estos (P>0.05). Los porcentajes obtenidos fueron, maíz 4.54% grasas trans, 0.88% ALC y canola 4.08% grasas trans, 0.81% ALC. Estadísticamente el tratamiento con aceite de palma produjo menor producción de ALC en comparación a maíz y canola (P<0.05). La suplementación con aceites ricos en ácidos grasos poliinsaturados como maíz y canola  aumentó la producción de ALC en leche de vaca Jersey semiestabuladas.

Palabras clave: Aceite de canola, aceite de maíz, aceite de palma,  ALC, cromatografía.

Abstract: The fatty acid profile allows to characterize, compare, quantify different fats, and functional fatty acids such as omega 3, omega 6 and conjugated linoleic acids (CLA). The objective of the study was to evaluate three diets in relation grass-fat to promote CLA.  Determine the best diet, evaluate changes in fatty acid profile and physicochemical properties. It was identified and quantified fatty acids by gas chromatography, also pH, viscosity and color was evaluated. Were used, 3 groups (8 cows) Jersey race, each group went through the three treatments. The diets were composed of grass, Brachiaria híbrido (Mulato II and Cayman), silage and concentrate. These diets are considered isoproteic and isoenergetic, the only difference was the addition each one oil (corn, canola or palm) in the concentrate. Different oil for each treatment. Statistical analysis was performed using a randomized complete block design with three treatments and three repetitions. The content of trans and CLA in treatments with corn oil and canola fat increased. However there was no statistically significant difference (P>0.05) between them. The percentages were obtained, corn 4.54% trans fats, 0.88% CLA, and canola 4.08% trans fats, 0.81% CLA. Statistically palm presented difference compared to corn and canola (P<0.05). Supplementation with polyunsaturated rich oils such as corn and canola fatty acids, increased production of CLA in milk from Jersey cows

 

Key words: canola oil, corn oil, CLA, chromatography, palm oil.

Introdução

Leite e produtos lácteos formam parte da dieta habitual de grande parte da população por apresentar alto conteúdo de nutrientes e excelente aceitação sensorial. O leite possui entre 2 a 5 % de lípídeos dos quais 70 % são ácidos graxos saturados e 30 % são ácidos graxos insaturados; nesse último grupo se encontram os ácidos linoléicos conjugados (CLA). Atualmente a literatura científica evidencia que os CLA possuem propriedades benéficas para a saúde humana, como a prevenção de aterosclerose e câncer, redução da hipertensão arterial, melhoria na mineralização dos ossos, redução de peso, sensibilidade a insulina, entre outros benefícios associados a alimentos de origem animal (Gil,  2010; Yang et al., 2015; Siurana & Caslamiglia, 2016).

Sabe-se que em pastagens e em óleos de milho, canola, cártamo e soja encontram-se presentes ácidos graxos poliinsaturados que servem de subtrato para a biohidrogenação realizada no rúmen pela ação de Butirivibrio fibrisolvens e espécies relacionadas (Jenkins, 1993; Zapata et al. 2011).

A importância deste trabalho encontra-se em buscar uma dieta que promova a produção de CLA para o desenvolvimento de novos produtos lácteos. Como limitante deste estudo pode-se citar a diversidade de óleos que contém alto porcentagens de ácido linoléico e a condição climática que influência a disponibilidade de pastagens. Desta forma os objetivos foram: i) avaliar três dietas suplementadas con óleos vegetais para a produção de CLA; ii) determinar a dieta que melhor promove a produção de CLA em leite de vacas da raça Jersey semi estabuladas; iii) avaliar o perfil de ácidos graxos e as propriedades físico-químicas do leite obtido dos diferentes tratamentos.

Materias e métodos

 

Metodologia

Todas as etapas do presente estudo foram realizadas na Universidade Zamorano, Departamento de Francisco Morazán, Honduras (vídeo:  https://www.facebook.com/eapzamorano/videos/10154670623008487/). Foram utilizadas 18 unidades bovinas da raça Jersey em lactância. As dietas foram a base de pastagem Brachiaria híbrido (Mulato II e Cayman), ensilagem e concentrado. A única diferença en cada tratamento foi a adição de óleo (milho, canola e palma) no concentrado. Os animais foram submentidos por 8 dias com cada tratamento (TRT). Este procedimento foi realizado com a finalidade de adaptar o trato intestinal dos animais com a dieta no  primeros quatro dias e posteriormente os quatro dias restantes desempenhar o aproveitamento dos benefícios da pastagem, do concentrado e do óleo vegetal adicionado segundo informações presentes na Tabela 1.

Tabela 1. Rotação de tratamentos para os diferentes grupos de unidades experimentais.

Grupo animais 0-8 dias 9-17 dias 18-25 dias
A TRT2 TRT1 TRT3
B TRT1 TRT3 TRT2
C TRT3 TRT2 TRT1

TRT1= Ração com óleo de canola, TRT2= Ração com óleo de palma, TRT3=  Ração com óleo de milho.

Todas as unidades experimentais foram submentidas a mesma probabilidade de passar pelos diferentes tratamentos em cada una das rotações. Para isso, a rotação da dieta ocorreu em 47 dias. Após os oito primeiros dias da dieta foi realizado nove dias de descanso e iniciado novamente o ciclo de 8 dias (9-17 dias) até finalizar os três períodos presentes na Tabela 1.

Cada um dos tratamentos foi acompanhado de uma ração concentrada com farinha de milho e de soja pelo seu alto conteúdo amido e proteína, misturado com cana de açúcar, sais minerais e uréia com a finalidade de facilitar a ingestão dos óleos. Esse procedimento evita sobrecarregar a dieta de concentrado, pois altas quantidades de concentrado ocassionam uma diminuição do pH ruminal inativando a ação de microorganismos anaeróbios, que são capazes de hidrogenar os ácidos graxos poliinsaturados. A quantidade de concentrado estabelecida foi a razão de 0,45 kg  por cada litro de leite. Adicionalmente os tratamentos 1, 2 e 3 apresentam a quantidade de concentrado 6,36 Kg/vaca/dia e quantidade de óleo de 0,24 Kg/vaca/dia.

 

Análises físico-químicas

Extração de gordura láctea: foi utilizado o método Babcock AOAC. 989.04. A gordura foi apresentada em g de gordura/100 g de leite.

 

Derivatização da gordura láctea e análise de cromatografia gasosa: a gordura do leite foi derivatizada por transesterificação de ácidos graxos e a análise cromatográfica realizada segundo método AOCS Ce 2b-11. As condições do método foram: forno em 250 °C, programa do forno com temperatura inicial 180 °C depois 20 °C/min até chegar a 215 °C), tempo de corrida de 65 minutos e volume de injeação de 1 μL. A fase estacionária utilizada foi Supelco SP-2560 Fused Silica Capillary Column 250 °C (100 m x 250 μm x 0.25 μm). A fase móvel foi com fluxo de hidrogênio (Gerador de hidrogênio Parker Balston para GC (40 mL/min) e fluxo de ar de 450 mL/min). A identificação foi realizada pela comparação dos tempos com padrões (Anexo 1). A quantificação foi realizada através da integração das áreas dos cromatogramas, calculando a porcentagem de cada área com respeito a linha base (Anexo 2 e 3).

Análise de cor: foi utilizado equipamento Colorflex hunter Lab® e análises foram executadas em quintuplicata. Os valores de valores L* a* b* foram utilizados para calcular o índice de brancura (IB) – equação 1. O IB de 100 apresenta uma superficie branca ideal, valores superiores a 100  tendem a ser brancos azulados, e valores inferiores a 100 são considerados brancos amarelados (Montoya López et al. 2012).

IB= 100 ‒ [(100 ‒ L*) 2 + a *2 + b *2]1/2           [1]

Análises de pH: foi medido em triplicata utilizando o medidor de pH marca The Oyster ™ previamente calibrado.

Análises de viscosidade: a análise foi executada em quadruplicata com 250 mL de amostra em Reômetro de Brookfield DV- III Ultra V6.1 LV spindle 61 a 150 rpm e dados obtidos a cada 30 segundos. A viscosidade foi apresentada em centipoise.

Análises estatistícas: foram realizadas análises de variança para determinação do efeito das três dietas. Um desenho de blocos completos ao acaso onde cada bloco ou grupo de vacas passou por cada tratamiento de maneira aleatória foi executado. Procedimento realizado para determinar o efeito dos três tratamentos no conteúdo de gordura total, gordura saturada, monoinsaturada, poliinsaturada, trans, ácidos graxos funcionais (CLA, ômega 3 e ômega 6) e aspectos físico-químicos. Médias Duncan foram utilizadas para determinar diferença entre os tratamentos e o programa estatístico SAS® versão 9 foi utilizado.

 

Resultados e discussão

As dietas aplicadas nos animais foram isoprotéicas e isoenergéticas com a finalidade que a única fonte de variação fosse o impacto dos óleos vegetais na dieta. Os resultados presentes na Tabela 2 demostram que que estatísticamente não foram encontradas diferenças significativas nos sólidos totais, sólidos não gordurosos, gordura e densidade (P>0,05) entre os tratamentos. Era esperado uma mudança nos teores de gordura, pois buscava-se aumentar o percentual de CLA presente no leite das vacas alimentadas com diferetes dietas deste estudo. Entretanto a quantidade de CLA não contribuiu em grandes proporções no total de gorduras e por isso não foram encontradas diferenças significativas nas análises apresentadas na Tabela 2 para cada tratamento.

Tabela 2. Comparação de sólidos totais, sólidos não gordurosos, gordura e densidade segundo tipo de óleo vegetal aplicado em cada tratamento.

Tratamentos aplicados  Sólidos totais  Sólidos não gordurosos Gorduras            Densidade
Óleo % ± D.E. % ± D.E. %  ± D.E. g/L ± D.E.
Milho 13,74±0,04 a 8,66±0.12 a  4,46±0.15 a  1,03083±0,008 a
Canola 13,65±0,02 a 8,74±0.17 a  5,03±0.05 a  1,02966±0,001 a
Palma 13,65±0,05 a 8,69±0.13 a  4,76±0.28 a  1,03066±0,001 a
  CV: 0,31 % CV: 1,93 % CV: 4,75 % CV: 0,05 %
R2: 87 % R2: 70 % R2: 70 % R2: 73 %

a-b: diferentes letras na mesma coluna indicam diferenças significativas (P< 0,05).   

R2: ajuste de modelo. CV: coeficiente de variação. D.P: desvio–padrão.

Os sólidos totais, sólidos não gordurosos, gordura e densidade demostraram mínima diferença com os resultados presentes na literatura para leite produzido por vacas da raça Jersey (Saborío, 2011, Hazard s.f , Campabadal s.f, Gonzáles et al. 2010). A gordura foi o segundo compenente em maior quantidade em relação aos sólitos totais. A respeito da densidade do leite, essa pode diminuir devido a quantidade de gordura que a amostra apresenta. Na análise de correlação efetuada a gordura e sólidos totais apresentaram correlação positiva (P<0,005) com alta significância (P=0,7514). Isto demostra que existe relação diretamente proporcional entre essas duas variáveis.

A conformação da gordura do leite de vaca apresenta 60-70% de ácidos graxos saturados sendo a maior parte deles os ácidos graxos de cadeia média. Entre eles pode-se mencionar 12:0 (ácido láurico) 14:0 (ácido mirístico) e 16:0 (ácido palmítico). As gorduras saturadas apresentadas na Tabela 3 mantiveram-se dentro da faixa média segundo literatura científica. A análise estatística demostrou diferença significativa entre os valores de gorduras saturadas entre os diferentes tratamentos (P<0,05). O tratamento com óleo de palma apresentou maior teor de gordura saturada (67,48 %). O tratamento que apresentou menor teor foi o com óleo de canola (65,11 %). Importante salientar que o óleo de palma é rico em gorduras saturadas devido as altas concentrações de ácido palmítico, enquanto óleo de milho e canola apresentam maiores quantidades de gorduras insaturadas (Piedra s.f.).

Tabela 3. Comparação de gorduras saturadas, monoinsaturadas e poliinsaturadas segundo o tipo de óleo vegetal aplicado em cada tratamento.

Óleo Gorduras saturadas Gorduras Monoinsaturadas Gorduras Poliinsaturadas
  % ± D.E. % ± D.E. % ± D.E.
Milho      66,34±1,02 ab 27,16±0,85 ab 1,95±0,30 a
Canola      65,11±1,76 b            28.79±1,66 a 2,01±0,22 a
Palma 67,48±3,50 a           25.61±3,18 b 1,81±0,30 a
  CV: 0,8 % CV: 4,37 % CV: 9,51 %
R2: 93 % R2: 86 % R2: 75 %

a-b: diferentes letras na mesma coluna indicam diferenças significativas (P< 0,05). R2: ajuste de modelo CV: coeficiente de variação.  D.E: desvio-padrão.

O ácido graxo com maior quantidade no total das gorduras saturadas foi o ácido palmítico. Os tratamentos com óleo de milho e de canola apresentaram uma média de 29 % de ácido palmítico, enquanto o óleo de palma apresentou 33 % de ácido palmítico. As gorduras monoinsaturadas apresentaram diferença estatística significativa (P<0,05). O tratamento com óleo de canola apresentou os maiores valores (28,79 %) enquanto o tratamento com óleo de palma apresentou menores valores (25,61 %). O tratamento com óleo de milho não apresentou diferença estatística significativa em comparação com o óleo de canola e palma.

Entre os ácidos graxos monoinsaturados o mais representativo foi o ácido oléico. Nos três tratamentos o ácido oléico manteve-se na faixa de 22-24%. Esse resultado está de acordo com o trabalho apresentado por Marzano (2013) que obteve 21,41 a  24,25% de ácido oléico. Para a gordura poliinsaturada, os resultados obtidos não demostram diferença estatística significativa (P>0,05) entre os tratamentos. O teor de ácidos graxos poliinsaturados encontrados está de acordo com os valores obtidos no estudo de Marzano (2013). O ácido graxo poliinsaturado que apresentou maiores teores foi o ácido linoléico, o qual nos três tratamentos se manteve entre 1,53 % a 1,69 %. Em uma pesquisa prévia realizado no mesmo local deste estudo (Escola Agrícola Panamericana Zamorano) obteve-se um conteúdo de ácidos poliinsaturados no leite de 1,83% no verão e 1,94% no inverno. O percentual de gordura poliinsaturadas aumentou no inverno devido ao consumo de forragem fresca e diminuição do consumo de concentrado (Marzano, 2013).

As gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas apresentaram uma correlação positiva (P<0,05) com significância média  (P=0,6668). Isto demostra que existe relação diretamente proporcional entre elas. Quando aumenta a quantidade de gorduras monoinsaturadas aumenta a quantidade de gorduras poliinsaturadas. Estas gorduras entram no grupo das gorduras insaturadas, que possuem uma ou mais duplas ligações ao longo da cadeia carbônica.

Os dados apresentados na tabela 4 demostram que foi detectada diferença significativa no percentual de gorduras trans entre o tratamento com óleo de palma e os tratamentos com óleos milho e canola. Entre os tratamentos com óleo de milho e canola não foi detectada diferença  estatística entre o teor de ácidos graxos trans produzidos pela dieta (4,54 % e 4,08 %, respectivamente).  Este resultado é atribuído ao fato destes óleos serem ricos em ácidos graxos poliinsaturados os quais servem de sustrato na trasformação de ácidos graxos trans. Alguns autores sugerem que o consumo de pastagem é uma fonte rica em ácido oléico e linoléico os quais a serem biohidrogenados produzem ácidos graxos trans (Marzano, 2013).

Tabela 4. Comparação de gorduras trans e CLA segundo tipo de óleo vegetal na dieta.

Óleo Gorduras trans Ácido Rumênico
  % ± D.E. % ± D.E.
Milho 4,54±0,20 a 0,88±0,10 a
Canola 4,08± 0,11 a 0,81±0,04 a
Palma 3,00±0,37 b 0,56±0,04 b
  CV: 6,44% CV: 6,44%
  R2: 93% R2: 88%

a-b: diferentes letras na mesma coluna indicam diferença significativa (P<0,05). R2: ajuste de modelo CV: coeficiente de variação. D.E: desvio-padrão.

O percentual de CLA obtido nas dietas ricas em óleo milho e canola (0,88 % e 0,81 % respectivamente) não apresentaram diferença significativa. Estas duas dietas apresentaram diferença com a dieta rica em óleo de palma (0,56 %). No trabalho de Marzano (2013) foi obtido uma média de produção de CLA de 0,73 % no inverno e 0,11 % no verão. Vale salientar que se buscou manter o pH do rúmen o qual favoreceu a produção de CLA.

Os CLA englobam vários isómeros,  sendo os principais os isómeros cis-9 trans-11 e trans-10, 12, os quais se atribuem propriedades anticancerígenas e inibição da depósitos de gorduras respectivamente. Estes isómeros representan aproximadamente 80 % dos CLA conhecidos (Paz, 2009).

Alguns autores sugerem que a alimentaçãon baseada em pastagem pode não ser suficiente para assegurar uma produção estável de CLA. Isto porque a concentração de lipídios em pastagens e a quantidade de ácido linoléico (precursor da síntese de CLA) oscilam, tendo valores mais elevados em pastagens novas e diminui a medida que aumenta sua maturidade. Por esta razão, indica-se recorrer a uma suplementação estratégica (Gagliostro, 2010). Uma alimentação a base de pastagem e suplementada com sementes ou óleos vegetais ricos em gorduras poliinsaturadas é uma alternativa para aumentar o percentual de CLA (Calvo et al., 2009). É importante mencionar a composição de ácidos graxos percursores na síntese de CLA. O milho possui 59,6 % de ácido linoléico em sua composição de ácidos graxos, canola possui 21,0 % e palma 10,5 % (O´ Brien, 2004). Outros fatores que também foram considerados nesta pesquisa foram: disponibilidade na região e preço.

As gorduras trans e CLA apresentaram correlação positiva (P<0,05) com alta significância (P=0,93046). Isto demostra que existe relação diretamente proporcional entre elas. Quando aumenta a quantidade de gorduras trans aumenta a quantidade de CLA nas condições deste estudo. Isto é atibuído a influência da alimentação na biohidrogenação dos ácidos graxos.

Foi detectada a presença de dois ácidos graxos ômega 3, ácido octadecatrienóico (alfa-linolênico, 18:3 cis - 9, 12, 15) e ácido eicosapentaenóico (EPA, 20:5 cis -5, 8, 11, 14, 17). A quantidade presente destes ácidos em cada um dos tratamentos não apresentou diferença estatística (p>0,05) (Tabela 5). Os ácidos graxos ômega 3 e ômega 6 influem positivamente  na saúde pois tem participação na função cerebral, cardiovascular, processos inflamatórios, diabetes, entre outros (Coronado et al. 2006).

O conteúdo de ômega 6 no leite encontrado oscilou entre 1,53 % a 1,69 % do total de gordura do leite. Esse resultado é similar ao estudo de Marzano (2013) que detectou valores entre 1,50 % a 2,00% de ômega 6 no leite. Com respeito aos ácidos graxos ômega 6 unicamente foi detectado o ácido linoléico 18:2 cis - 9,12 sem diferença significativa entre os tratamentos (p>0,05).

 

Tabela 5. Comparação de ômega 3 segundo tipo de óleo vegetal nas dietas.

Óleo Ômega 3 Ômega 6
  Ácido Alfa-linolênico Ácido EPA (Eicosapentaenóico)

Ácido

 linoléico

  % ± D.E. %  ± D.E. % ± D.E.
Milho 3,95±0,02 a            1,79±0,19 a 32,53±4,47 a
Canola 3,76±0,54 a            1,52±0,02 a 29,36±3,90 a
Palma 3,60±0,51 a            1,76±0,28 a 27,97±1,59 a
  CV: 8,09% CV: 9,77% CV: 7,64%
  R2: 75% R2: 70% R2: 80%

a-b: diferentes letras na mesma coluna indicam diferença significativa (P< 0,05).   R2: ajuste de modelo. CV: coeficiente de variação. D.E: desvio-padrão.

Estatísticamente não foi detectado diferença na viscosidade e índice de brancura entre os tratamentos (P<0,05). A viscosidade obtida no tratamento com óleo de milho foi de 0,00733 N s/m2, seguido do tratamento con óleo de canola 0,00724 N s/m2, e por último o  tratamento com óleo de palma 0,00721 N s/m2 (Tabela 6). Entre os componentes que apresentam maior influência na viscosidade do leite estão os compostos gorduroros seguida da proteína. A gordura ocasiona mudança na viscosidade do leite devido ao tamanho e número de glóbulos gordurosos que estão ligados ao procedimento de homogenização. A homogenização afeta a viscosidade do leite e causa a redução dos glóbulos gordurosos que ocasiona incremento no número de glóbulos, aumentando a superficie específica e com isso a viscosidade.

É importante mencionar que o tempo e temperatura de armazenamento também ocasionam mudanças. A viscosidade diminui a medida que se aumenta a temperatura. As amostras analisadas foram expostas a temperatura de congelamento, pois não foi possível analisar imediatamente.

O armazenamento produz mudanças a nível enzimático e bacteriano o que também resulta em alteração no pH o qual explica os resultados da tabela 6. Entre os fatores que ocasionam modificação do pH se pode mencionar o estado de lactância (vacas que se encontram na etapa final de lactância produzem leite com valore de pH a 7,4). Também se pode atribuir a mudanças da temperatura, pois o leite sofre mudança no sistema tampão, onde afeta a solubilidade do fosfato de cálcio. Quando o índice de brancura apresenta valores próximos a 100, significa que o leite possui tonalidades brancas muito próximo ao branco perfeito (Mayta e Toc, 2013).  Neste estudo as tonalidades obtidas demostraram que as amostras apresentavam coloração mais amareladas.  A coloração do leite é afetada pelo efeito de dispersão da luz, devido principalmente os glóbulos de gordura. Quando os glóbulos de gordura são menores ocorre um efeito de maior dispersão da luz causando uma coloração branca no leite. Outros fatores que influenciam a coloração são a presença de micelas de caseína, fosfatos de cálcio, carotenoides e riboflavinas (Chuchuca et al., 2012; Canilec, 2011).

 

Tabela 6. Comparação da viscosidade, pH e índice de brancura a partir do leite obtido apartir de tratamento com óleo vegetal na dieta.

Óleo Viscosidade  (N s/m2) pH Índice de Brancura
  Média ± D.E. Média ± D.E. Média ± D.E.
Milho 0,00726±0,00015 a 7,10±0.08 a 82,26±0.05 a
Canola 0,00726±0,00015 a 7,10±0.08 a 82,06±0.11 a
Palma 0,00726±0,00011 a 7,11±0.08 a 82,06±0.05 a
  CV:1,25% CV: 0,11% CV: 0,11%
  R2: 72% R2: 99% R2: 72%

a-b: diferentes letras na mesma coluna indicam diferença significativa (P< 0,05). R2: ajuste de modelo CV: coeficiente de variação. D.E: desvio-padrão.

A respeito da produção de  leite diária não encontrou-se diferenças significativas (P>0,05) entre os tratamentos. A produção permaneceu em 13 litros/dia (dieta com óleo de milho: 13,25±0,34; com óleo de canola: 13,33±0,34 e com óleo de palma: 13,25±0,34). Considerando o custo a alimentação das vacas deste estudo, o concentrado foi o componente com maior custo, oscilando entre 42-60 %. Os tratamentos com maior custo foram os que incluíram óleo de milho e canola na sua formulação. O custo da alimentação nesses tratamentos equivale a 60 % dos ingressos. Isto por serem de grau alimentício. O aumento do custo da alimentação por litro de leite em cada um dos tratamentos permaneceu em torno de $0,02-0,03 por litro de leite. O custo da alimentação para a produção de um litro de leite utilizando o mesmo sistema de alimentação a base de pastagem, concentrado, ensilagem e excluíndo o uso de óleos vegetias foi de (0.27$) (Mitre 2015).

 

Conclusões

Os percentuais mais elevados de gorduras trans e CLA foram obtidos nos tratamentos que apresentavam óleo de milho e canola.

A implementação de óleos em una dieta a base de pasto, ensilagem e concentrado não afetou a produção diária de leite.

O uso de óleos ricos en ácidos graxos insaturados como milho e canola apresentou diferença estatística significativa nas gorduras saturadas, monoinsaturadas, trans e CLA.

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Anexos

Anexo 1. Tabela de calibração utilizada para a análise de cromatografia gasosa com o tempo de retenção dos ácidos graxos.

  Ácidos graxos de cadeia curta Tempo de retenção (minutos)
C4:0 Ácido butanóico (butírico) 7,139
C5:0 Ácido pentanóico (valérico) 7,222
C6:0 Ácido hexanóico (caproico) 7,325
C7:0 Ácido heptanóico (enántico) 7,457
C8:0 Ácido octanóico (caprílico) 7,632
C9:0 Ácido nonanóico (pelargónico) 7,859
C10:0 Ácido decanóico (cáprico) 8,154

 

  Ácidos graxos de cadeia curta Tempo de retenção (minutos)
C11:0 Ácido undecanóico (undecílico) 8,54
C11:1 Ácido undecenóico 9,107
C12:0 Ácido dodecanóico (láurico) 9,044
C13:0 Ácido tridecanóico (tridecílico) 9,701
C13:1 Ácido tridecenóico 9,774
C14:0 Ácido tetradecanóico (mirístico) 10,557
C14:1 Ácido tetradecenóico (mirístoleico) 10,646
C15:0 Ácido pentadecanóico (pentadecílico) 11,617
C15:1 Ácido pentadecenóico 11,674

 

  Ácidos graxos de cadeia curta Tempo de retenção (minutos)
C16:0 Ácido Hexadecanóico (Palmítico) 13,134
16:1n9t trans-9 Ácido Hexadecenóico (Palmitelaídico) 14,111
C16:1 Ácido Hexadecenóico (Palmitoleico) 14,616
C17:0 Ácido Heptadecanóico (Margárico) 15,04
C17:1 Ácido Heptadecenóico (Margárico) 16,91
C18:0 Ácido Octadecanóico (Esteárico) 17,53
C18:1 T9 ELAIDICO Ácido Octadecenóico (Elaídico) 19,15
C18:1  A9 OLEICO Ácido Octadecenóico (Oleico) 19,61
18:1n11t trans-11 Ácido Octadecenóico (Transvaccénico) 18,951
C18:1 A11 VACENICO Ácido Octadecenóico (Vaccénico) 19,905
18:2n6t trans - 9,12 Ácido Octadecadienóico (Linoelaídico)  
C18:2 Linoleico Ácido Octadecadienóico (Linoleico) 23,293
C19:0 Ácido Nonadecanóico (Nondecílico) 20,784
18:3n6 cis - 6,9,12 Ácido Octadecatrienóico (Γ-Linolénico)  
C19:1 Ácido Nonadecenóico  
18:3n3 cis - 9,12,15 28,722
C20:0 ARAQUIDICO 25,052
C20:1 A5 27,205
C20:1 A8 Ácido Eicosenóico 27,856
C20:1 A11 28,288
20:2 cis - 11,14 Ácido Eicosadienóico  
20:3n6 cis - 8,11,14 Ácido Eicosatrienóico  
20:4 cis - 5,8,11,14 40,35
20:3n3 cis - 11,14,17 Ácido Eicosatrienóico 36,455
20:5n3  cis 5,8,11,14,17 Ácido Eicosapentaenóico (Epa) 36,812
C21:0 Ácido Heneicosanóico  
C22:0 Ácido Docosanóico (Behénico) 34,657
C22:1 Ácido Docosenóico (Erúcico) 36,328
22:2 cis-13,16 Ácido Docosadienóico 39,109
22:4 cis - 7,10,13,16 Ácido Docosatetraenóico (Adrénico)  
22:3 cis - 13,16,19 Ácido Docosatrienóico  
C24:0 Ácido Tetracosanóico (Lignocérico) 42,652
22:5 cis - 7,10,13,16,19 Ácido Docosapentaenóico (Dpa) 48,039
22:6n3 cis - 4,7,10,13,16,19 Ácido Docosahexaenóico (Dha) 50,21
C24:1   42,526

Anexo 2. Cromatograma da gordura láctea e zona ácidos graxos trans.

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Anexo 3. Cromatograma da gordura láctea e zona de CLA.

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